Micos no Caminho
Lendo

Não há como escapar. Na maioria das vezes, é só uma questão de tempo. Uma distração, um pensamento mais comprido, é lá vem mico!

Cadmo O maior mico: dizer besteira em português, achando que as peregrinas eram estrangeiras (e eram brasileiras). Que vexame!...
Césare

O último deles foi ter detonado o albergue de Pontevedra. Estávamos eu e uma amiga somente. Antes de os hospitaleiros partirem, o homem me chamou no canto e disse: - Olha só, peregrino, esse albergue é enorme, por isso, para evitar bagunça, usem o mesmo quarto (?!) e NÃO use o banheiro dos homens, vale?

Ah, tá. Bom, eles (era um casal) foram embora e na hora da gente tomar banho, minha amiga foi prá um lado e eu, claro, fui tomar banho no banheiro dos hombres. Justamente o que ele falou para eu NÃO fazer, né? Eis que o ridículo aqui vai usar a privada e na hora de dar a descarga, o troço entra e não sai, e a água não pára de cair, feito louca! Bom, eu saio da cabine e entro em outra, faço a mesma coisa, dou descarga e o troço emperra também, aquela água toda disparando um jato fortíssimo...

Aí eu penso assim (jeca): será que os chuveiros também estão com defeito? Vou lá, aperto o botão de um deles e a água começa a cair e não pára mais! Digo, Meu Deus, e agora? Cadê o negócio de desligar a água do banheiro (hidrante?!)? Vou correndo ao banheiro da minha amiga, e nisso o banheiro dos homens está todo alagado, claro.

- Ana Rê, pelo amor de Santiago, vem me ajudar aqui!

Ela sai de toalha e tudo e quando chegamos na porta do banheiro a água já estava começando a entrar na sala! Pânico total.

- Césare, vc é louco? O cara disse prá não usar o banheiro! Vamos desligar o hidrante!

E quem disse que havia hidrante no banheiro? Será que na Europa é diferente? A gente olhou a casa inteira e nada de hidrante! Bom, o lance era fazer com que a água não entrasse para a sala e quartos, né? Por sorte os ralos eram daqueles que abrem e fecham, e quando nós os abrimos a água escoou, mas o banheiro continuou uma piscina.

O barulho era ensurdecedor, fomos dormir com a impressão de estarmos em Niágara Falls. De madruga, para piorar, as luzes do albergue se acendem sozinhas, eu acordo assustado, chamo a Ana Rê e quando ela abre os olhos as luzes fazem Fiiiizzzzzzzz e se apagam repentinamente; os avisos de emergência se acendem e começam a piscar. Bom, só sei que a gente ficou morrendo de medo, eram umas quatro e pouco da manhã, eu achei que era um lance de Poltergeist tudo aquilo, só poderia ser! Demos no pé. Até hoje daria tudo prá ver a cara do hospitaleiro quando de sua chegada ao refúgio e vendo toda aquela zona...

Ps: deixei uma cartinha me desculpando e um donativo melhor prá tentar aliviar o desperdício da água perdida...

Leon

Um grande mico foi quando fui pro matinho e me deram o maior flagra.

Lillian

Chegar no albergue de Astorga de carro por causa das bolhas e levar uma vaia. Só depois os peregrinos entenderam o porque. O que você mais fez durante o caminho? Chorei muito, ri muito, cantei e rezei. Fora que eu conheci todos os matinhos também.

Manoel Brasília

Sem dúvida foi a tentativa de, no ano santo 99, tentar fotografar o cachorro de mochila da peregrina francesa. A hora não era apropriada e foi a maior saia justa.

Gisa

Tá bom, tá bom, eu conto. Como disse antes, o meu mico já é público, pois contei para todo mundo ainda lá da Espanha e já está no site (Direto do Caminho). Então, só vou acrescentar os detalhes sórdidos. Foi assim:

Em Villadangos del Páramo, saí atrasada, depois de fazer o alongamento matinal. Estava sozinha e sem mapa, pois meus planos originais eram pular de Logroño até Astorga e caminhar o restante até Santiago. Então eu só tinha os mapas de Astorga em diante. Mas, como sempre tinha visto o Caminho bem sinalizado, não me preocupei.

A saída de Villadangos não foi difícil, lá estavam as setas amarelas, e tal, tudo bem. Mas, depois de atravessar uma carretera e passar por um camping, cadê as setas amarelas? Andei de um lado para o outro, sentei, esperei por outros peregrinos (nenhum apareceu). Por fim, resolvi continuar e cheguei na (mal)dita autopista em construção.

E andei, andei, andei, andei (não sei até hoje, o Caminho de quem que eu percorri, porque não tinha uma flechina que fosse, para mostrar que eu estava no Caminho de Santiago). No começo, eu estava confiante, afinal, em algum lugar eu teria que chegar. Mas depois de um tempo caminhando sem ver setas ou peregrinos, não tem fé que resista...

Aí, encontrei os homens que trabalhavam na autopista. Procurei fazer uma cara alegre e perguntei, no meu precário castelhano, onde estava o Caminho de Santiago. Um deles me disse que a autopista havia cortado o Caminho, que o caminho passava por sei eu lá aonde (não entendi bulhufas) e que o remédio era eu seguir a autopista até encontrar uma ponte e que à direita tinha uma seta e eu estaria no Caminho.

- É quantos km até a ponte? - eu perguntei.

- Uns dois.

Ótimo. Perfeito. Melhor impossível. Até já avistava a ponte. E fui. Andei, andei, andei. E descobri que a tal ponte, não era a primeira ponte que eu encontrasse, mas uma das muuuuitas pontes pelas quais passei. Lembro-me de ter contado umas cinco "pontes" que passavam por cima da autopista e mais duas pontes na própria autopista.

Os dois km eram, na verdade, dez km!

Os meus nervos estavam meio abalados. E estava eu andando, quando encontrei dois "cachorrinhos" (não sei os outros peregrinos, mas a maioria dos cachorros que eu vi na Espanha eram criados a Tody). Nem dei bola, fui em frente. Mas os "cachorrinhos" não foram com a minha lata e levantaram e vieram na minha direção de orelha baixa e latindo.

Pensei: se fosse um eu enfrentava, mas dois... Olhei para trás, pois havia passado há pouco por mais gente trabalhando na autopista. Estavam há poucos metros e eu não tive dúvidas. Saí correndo e gritando (em português mesmo, porque na hora, esqueci tudo do meu espanhol): "Socorro, alguém me ajude!" E já fui subindo no primeiro trator que vi na minha frente.

Aí, os dois homens que estavam ali, vieram e me disseram que eu não precisava ter medo, mas que, mesmo assim, o Raul (Santiago o abençoe) foi comigo, enxotando os cachorros, até que eu passasse por eles.

Ou seja, fiasco dos fiascos! Uma vergonha. E foi isso. Viu? Nada de muito engraçado.

Morta a curiosidade?

Paulo Bastos Na saída de Pamplona, em direção à Cizur Menor. Estava caminhando com dois brasileiros de São Paulo. Exausto, parei numa calçada e fui acompanhado pelos outros dois peregrinos. Um deles, o Caio, tirou uma pomada da sua mochila e começou a fazer uma massagem em suas pernas. Com o olho comprido, pedi um pouco da pomada para meus ombros, que doíam pelo peso da mochila.

A resposta do Caio foi tiro e queda: O castigo vem à cavalo, heim Paulo? Ontem à noite eu te pedi um pouco da sua pomada (arnica) e você disse que estava difícil de apanhar...

Foi mais que um mico, senti-me envergonhado.

Solange

Ser chamada à razão pelo fato de eu estar sempre roubando as rosas das casas, e bem assim as cerejas suculentas das árvores (continuei roubando do mesmo jeito).

Tilara

Fazer xixi no balde de uma velhinha no meio da rua.

Clotilde Pavanelli

O primeiro mico do caminho foi logo no primeiro dia, estava eu e um português que conheci em Roncesvalles, fazendo o caminho de bicicleta pela trilha,passamos em Larasoaña, onde visitamos Zubiri, que nos aconselhou que dormíssemos em Trinidad Arre, devido às bicicletas, pois o albergue de Pamplona não tinha como guarda-las no térreo.

Seguimos então e ele tinha me dito que numa bifurcação próximo a Irotz encontraríamos um bar para um refresco. Lá fomos nós margeando o rio, naquele sobe e desce quando vi Irotz, ouvi vozes e risos e uma bifurcação. Parei minha bici e entrei com tudo, passei por um jardim com mesa e gente, nem olhei muito e fui logo abrindo aquela cortina anti mosca, já estava com o pé lá dentro quando ouço uma voz:

- Onde vai? - não respondi.

- É um bar?

- Não, é minha casa.

- Aiiiiiii... Mil desculpas!

E já fui me retirando quando olho e vejo que era um almoço em família e tinha umas 10 pessoas me olhando... Mas a dona da casa me salvou dizendo:

- Bem, já que entrou não aceita um vinho?

Chamei meu amigo e ficamos lá comendo e bebendo um tempão. Ele era fotografo profissional fez fotos da família,e nfim acabou sendo uma festa para todos.

Quando alguém passar por Irotz,naquela subidinha à esquerda tem um jardim com cipreste é a casa de Alberto, um hospitaleiro do caminho. Deixe um abraço da brasileira que invadiu sua casa.