Cuidados com os pé
Cuidados com os pé

"Saí do Brasil aterrorizado. Depois de tudo que li, em vários livros, e em relatos de vários peregrinos, desenvolvi uma verdadeira paranóia com respeito a pés, joelhos e ombros. A coisa ficou tão séria que cheguei a sonhar que eu tinha criado bolhas nos joelhos ! E eram daquelas com sangue, enormes... Aquele sonho aconteceu quinze dias antes da viagem, durante a fase de intensificação do meu treinamento físico preparatório.

Esse treinamento foi bastante simples e aprovado pelo meu médico, que, antes, me fez fazer uma série de exames de laboratório, em razão de eu ser diabético (não insulinodependente). Com dois meses de antecedência, comecei a caminhar cinco dias por semana, iniciando com 4 quilômetros. Ao fim de trinta dias eu caminhava 10 e com 25 dias eu já era capaz de caminhar 20 quilômetros, em cerca de quatro horas e meia (aos sábados e domingos). Foi preciso uma certa disciplina para seguir o plano traçado, além de uma certa compreensão do pessoal de casa. Afinal, eu começava a andar às 17:30 hs e, por várias vezes, durante a semana, só chegava depois das 21:00 horas. Banho, jantar e dormir era coisa de hora e meia.

Durante todo o treinamento só tive uma bolha - pequenina, no dedo mínimo do pé esquerdo, 2 dias antes de viajar. Isto iria me fazer tomar uma decisão que nunca tinha sequer considerado como possível. Por causa da bolha, eu subi os Pirineus de Papete. Só subi, pois para descer não tive opção: coloquei o tênis.

A partir de Roncesvalles e durante todo o resto do caminho adotei o seguinte ritual:

Meia hora antes de dormir

- removia todo o esparadrapo (microporo) que tivesse resistido ao banho.

- em cada pé, fazia uma massagem de cerca de 5 minutos com o Creme Pédico que trouxe do Brasil (Tecnopé). A cânfora do creme fazia os pés "viajarem" e eles dormiam com um sorriso nos lábios.

- fazia uma massagem nos joelhos com Radio Salil (pomada espanhola anti-inflamatória). Isto foi feito desde o primeiro dia pois, na descida para Roncesvalles, eu caí e o joelho esquerdo sofreu uma leve torção - nasceu uma dorzinha que me acompanhou, fielmente, por 33 dias, até Santiago.

Antes de começar a caminhar

- Colocava o esparadrapo nos mesmos lugares onde tinha medo de voltar a sentir uma irritação.

- Dava um banho de Polvilho Antissético Granado nos pés antes colocar as meias e os tênis.

Durante o caminhar

- Se eu sentia alguma coisa (ou alguém falava a palavra bolha), eu parava e colocava o microporo no lugar que estava "quentinho" ou "vermelhinho".

- Durante o almoço, sempre que possível, mantinha os pés sempre descalços.

Cada caso é um caso, eu sei. Mas quem sabe seu caso não é igual ao meu ? Em razão do ritual, ou por pura proteção de Santiago, não tive nenhuma bolha nem tendinite. Foram 33 dias, durante os quais andei um mínimo de 16 e um máximo de 37 quilômetros, sempre numa média de 4 quilômetros por hora.



As opiniões aqui emitidas podem não ter respaldo da medicina. São apenas experiências dos peregrinos.