Livro Completo

Carta de Amor De Uma Peregrina ao Caminho de Santiago

Antonella Zara

Introdução

Por PAIXÃO

“Ce lui que se perd dans sa passion a moins perdu que ce lui qui a perdu as passion.” (Saint Augustin)

Como descrever uma das mais belas e inacreditáveis experiências que alguém pode ter? Escrever, em si, é ato de coragem e ato de loucura, pois é impossível descrever a grandeza de um momento. Porque então escrever?

Por ARREBATAMENTO. Por PAIXÃO.

Foi caminhando 800 mágicos quilômetros sobre o Caminho de Compostela, durante um mês e três semanas, que me dei conta que estas eram as sensações que moviam minha existência. Por que escrever, caminhar, viver? A resposta é sempre a mesma.

ARREBATAMENTO = êxtase, enlevo, transporte, arroubo
PAIXÃO = sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, entusiasmo muito vivo por alguma coisa, calor, emoção.

O Caminho de Compostela me ajudou a entender que o que eu sempre procurara por fora, em ideais, homens, ou quaisquer metas, estava acima de tudo dentro de mim. A paixão assume um sentido religioso quando entendemos que ela não é meta nem fruto do acaso generoso, ela é veículo. Vivendo cada instante plenamente, amando a vida passionalmente, amando mais o caminho da vida do que qualquer outra coisa, nasce, súbita, no caminhante a impressão de se comunicar com o mundo. A paixão pela vida faz com que ela desabroche em uma sucessão de momentos inacreditáveis. Cada instante passa a Ter, então, sua verdadeira qualidade de único e insubstituível. E assim, quando se descobre que a Vida é tão imensa que não há de fato palavras para descrevê-la, nasce ainda um terceiro motivo para escrever: GRATIDÃO.