Livro Completo
SOLIDÃO- BEM NECESSÁRIO

Hoje foi um dia de grandes surpresas... Recebi vários e-mails do meu PP e todos bem animados... Bom demais isso! Em um deles, ele me mostra uma visão tão diferente de Logroño que nem acreditei que estávamos falando da mesma cidade. Lembra da cidade macabra? Pois olhe só a opinião dele sobre a mesma cidade:

"Aqui são 10:40h estou saindo de Logroño e a temperatura está em torno de 5 graus. Ontem pela primeira vez fiquei sozinho no albergue, meus companheiros de viagem, o francês e a alemã ficaram em lugares diferentes. Quando cheguei no albergue encontrei sopa pronta deixado pelos peregrinos da noite anterior, isso foi muito bom. Não tive que cozinhar e não gastei dinheiro com alimentação. A hospitaleira também não cobrou minha noite por estar sozinho. Logroño é um cidade bem grande e bem bonita. Pretendo dormir esta noite em Ventosa, no albergue do brasileiro Acacio que largou tudo no Brasil para viver aqui, devido o albergue de Najera estar fechado no inverno.
Estou adorando a viagem, a Espanha é linda.

Pois tudo é uma questão de percepção mesmo, né?? Ou quem sabe até de falta de conhecimento do assunto... O que importa é: temos sempre que dar uma segunda chance a um conceito pré-determinado.
Mas, o assunto do dia é a solidão. Por que estar só tem que ser ruim? Será que porque quando estamos sós temos que conviver com nossos medos, nosso eu verdadeiro? Pois avaliemos o lado bom da solidão: é neste momento em que podemos realmente nos conhecer, ver o que aspiramos, identificar nossos problemas e como resolvê-los e arrumar um tempo colocar tudo em ordem.
Estou vivendo esta fase, enquanto PP está viajando. Aproveitando para colocar as coisas internas e externas no lugar.
Interessante!!! Tenho gostado de muito do que tenho feito e descoberto, mas também tenho descoberto cada fantasma, que, buuuuuuuuu, sai fora, não quero mais na minha vida! E PP por sua vez, também está vivendo sua fase solitária. Ontem mesmo, como lemos acima, ele ficou sozinho num albergue. Quanto encontro com ele mesmo, não é? Qual será o resultado de tantos encontros? Acho que no fundo, teremos muito que trocar em seu retorno. Costumávamos dizer que na verdade estávamos nos transformando no homem e na mulher que faria o outro feliz. Que o novo Alexandre e a nova Mônica, sim, seriam os grandes amores de nossas vidas. E quem sabe, não seja justamente o ápice desta nossa transformação, este afastamento e encontro com nós mesmos? Estou louca para ver o que vai acontecer. O mapa abaixo mostra o caminho que ele fez hoje.


É bem verdade que fiquei procurando a tal Ventosa, mas não achei... Só achei a foto de um albergue...

No livro que li sobre o caminho, diz-se que na ida para Navarrete, há frases incentivadoras para os peregrinos: "Faça um caminho de Fé!", "Adiante Peregrino!". Será que PP as viu? Ainda faltam mais de 500 quilômetros até Santiago... É muito chão! Enfim, vejamos a solidão como um momento precioso, raro e de grande utilidade para nosso crescimento. Crescimento esse que é pessoal e intransferível, e que deve ser curtido até o fim. Até porque ele agregará muita energia para poder dividir com os outros... Lembre-se: a dor traz crescimento. Ou seja, por mais que em alguns momentos "doa" este encontro consigo mesmo, valerá e muito... Passe a acreditar na solidão, como um bem necessário, uma mistura de:

Surpresas
Encontro consigo mesmo
ALegria
IndivIdualidade
DeDicação
EmoçÃo
Crescimento

Tudo ficará melhor assim!
Próxima parada: São Domingo!