Livro Completo
INSEGURANÇA, caminho rumo à tristeza - 15/11/02

Ô São Thiago, que ensinamento você está querendo me passar hoje, hein? Lendo o livro "Via Láctea";, pude perceber que este sentimento é quase que uma constante na vida dos peregrinos ao fazer o caminho. Cada dia é uma nova conquista, que é antecedida por uma insegurança descabida, do que poderá acontecer, qual será sua descoberta pessoal, ou até mesmo se conseguirão atingir seu objetivo naquele dia.

Hoje passei um dia completamente insegura de tudo: das minhas escolhas, do que pode vir a acontecer depois desta nossa "caminhada à distância a dois";... Explicarei porquê: há aproximadamente um mês, ele tinha me pedido um tempo para o nosso relacionamento, para que pensássemos em tudo o que temos e o que ainda precisamos conquistar para podermos ficar juntos de vez. Ele sempre dizia que precisava sentir a minha falta para ver o quanto gostava de mim. Eu, com opinião completamente contrária, acho que não temos que ficar afastados para saber se amamos ou não alguém. Enfim, uma semana antes de sua viagem, nós estávamos em processo de recomeço, e combinamos que aproveitaríamos estes 48 dias para pensar em nosso relacionamento e decidirmos o que faríamos quando ele voltasse.

Logo no terceiro dia, ele me mandou aquele e-mail me dizendo que estava sentindo a minha falta assim como eu tinha previsto... Mas, isso ainda não é o suficiente para mim. Nosso futuro ainda está nas mãos do destino, da sorte, do que tem que ser! Minha insegurança é a mesma. Até porque algo eu já decidi: o quero para mim inteiro, feliz e principalmente, querendo e muito estar comigo. Sendo assim... Mas como dizem que o caminho é sábio... Quem sabe ele não nos ajuda!?

Guy Veloso, escritor do livro Via Láctea, faz algumas citações muito importante, que prova a existência da insegurança, do medo, e da total consciência de nossas deficiências. Leia-as abaixo e faça um momento de reflexão, tentando transportá-la para a sua vida:

"E notei que o Caminho de Santiago deveria ser sempre assim, cheio de obstáculos que teria de superar. Uns quase intransponíveis, talvez. Um constante duelo contra minhas próprias limitações.";
"Os riscos não eram nem de longe comparáveis ao medo do fracasso.";
"Sempre tão rigoroso comigo, jamais aceitaria o que considero o pior tipo de derrota: perder para mim mesmo.";

No meu caso por exemplo, a primeira citação pode ser vista como o que tenho passado no meu trabalho, quando a cada dia tenho que "matar um leão"; para sobreviver... Ou quando diariamente, sofro demasiadamente para emagrecer e poder oferecer um novo corpo de presente para mim e para o PP. Quando se fala em "perder para mim mesmo";, penso na questão mais uma vez do emagrecimento. Hoje fico apavorada de perder para mim mesma e não conseguir emagrecer como estou pensando... Ou seja: para fazer o caminho, não precisamos estar lá, e sim, estar dispostos a fazer esta caminhada interior, esteja onde estiver.