Livro Completo
ACEITAÇÃO, mesmo do que não queremos - 21/11/02

Hoje pela manhã, liguei para a mãe de meu PP e ela disse que ele ontem teria tentado falar comigo mas eu não estava em casa (não estava mesmo, tinha ido com a minha mãe ao cinema!), e que ele tinha mandado um beijo e teria pedido à ela que me falasse que ele havia tentado ligar... Well! Era para ele sentir minha falta.

Fiquei pensando na lição de hoje enquanto fazia a hidroginástica: acho que é a ACEITAÇÃO do que vier, sem muito questionar, aceitando as dificuldades e facilidades com que as coisas acontecem, tentando tirar proveito de tudo.

Um exemplo? Estamos afastados por uma causa nobre, sua necessidade de fazer a caminhada. Me adianta sofrer? Imaginar que ele pode conhecer alguém e me trocar? Ou mais vale a pena tentar encarar minha rotina sem ele, fazendo coisas que quando ele está aqui, acabo por não fazer?? Como diz Cássia Eller, melhor, dizia "morrer é não viver a realidade" (estou ouvindo esta música agora, que me faz lembrar delezinho...). E eu tô querendo mais é viver! E sendo assim, tenho que encarar a realidade. Ainda falando da Cássia, acho que o "eu só peço a Deus um pouco de malandragem", para agüentar todos os obstáculos e sair vitoriosa na corrida da vida...

Eu havia me inscrito no grupo da Associação dos Amigos do Caminho na internet. Pois hoje, quando cheguei ao trabalho quase enfartei: tinha simplesmente 185 mensagens no meu computador. É impressionante, como estas pessoas se curtem, se admiram, se apóiam, são verdadeiras microcélulas de uma grande família. Fiquei impressionada! Está rolando um amigo oculto, onde cada um recebe seu presente em casa. E alguns escrevem magoados porque ainda não receberam, outros radiantes por já terem recebido... Interessante é ver que eles não têm vergonha de mostrar seus sentimentos. E isso é o máximo!

Falando do caminho, hoje, acho que ele está em San Juan de Ortega, que até onde minha cultura internauta-literária me mostra, é uma cidade mística em excesso. Santo Juan quando veio de Jerusalém, se tornou o mais fiel colaborador de Santo Domingo, e juntos construíram hospitais, pontes, calçadas e igrejas para que os peregrinos pudessem ser bem atendidos e se sentissem acolhidos.

Acabo de descobrir que ainda faltam 515 quilômetros até o grande dia! Meu Deus!!!! Quero tanto ouvir o que meu PP tem a dizer deste momento que para ele será mágico, com certeza!

Falando ainda da Associação (AASC), hoje, um dos e-mails trazia um poema lindo, lindo de Drummond, entitulado ausência. Veja que pérola!

"Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência dissimulada, ninguém a rouba mais de mim."

E pensando no que outro dia escrevi sobre a saudade, a solidão, resolvi que hoje era o dia da aceitação. Que pode ser vista como os braços que acalentam a solidão, a ausência, e as transforma em um momento simplesmente encantador.

"Se não eu quem vai fazer você feliz...", escuto esta música ao fundo... Acho que a resposta é: a vida, o tempo, a alegria de estar de bem com tudo e todos...

Até amanhã!