Livro Completo
Burgos a Frómista - de ônibus - 63,6 km

02 de novembro de 2002


Cedo, fomos andar pelas elegantes ruas e avenidas da cidade. Tínhamos que esvaziar o quarto até as 12 horas, conforme o combinado com o gerente. Ele ainda disse que se quiséssemos poderíamos deixar as mochilas na recepção durante o resto do dia. O ônibus para Frómista partiria as 17h30, assim, tínhamos muito que fazer para passar o tempo. Como o nosso indispensável "salvado" de trigo (farelo de trigo) estava no fim e sempre tivéramos dificuldade em encontrar nas cidades menores, fomos à uma casa de produtos naturais para adquiri-lo. Lá tivemos que ouvir, espantados, do proprietário, que a comida chinesa não era boa pois colocavam alimentos de categoria inferior camuflados com molhos e que o melhor era procurarmos restaurantes onde servissem carne "de verdad"! Esse conselho vindo de um proprietário de casa de produtos naturais era, no mínimo, contraditório. Mas fazer o que? O jeito foi darmos um sorriso político como se disséssemos "cada um pensa e age como quer e pode"!

Depois tornamos a voltar ao hotel para acabar de arrumar as mochilas. Após pagarmos os 3 pernoites ficamos fazendo um pouco de hora sentados no luxuoso do hall de entrada. Em seguida, perto das 13 horas fomos almoçar. Não tínhamos mais vontade de ficar repetindo caminhadas pelas mesmas ruas centrais da cidade, daí, após o almoço, curtido lentamente, fomos para a rodoviária, bem perto dali e onde ficamos por 3 horas aguardando o nosso ônibus. O lugar não está a altura do que a cidade merecia, pois era sujo, feio e escondido no interior de um prédio. Depois da longa espera acabamos embarcando com mais 6 passageiros apenas.

A viagem de 1h30 foi muito monótona! A paisagem plana, com pequenas colinas, um tanto árida e cor marrom acentuava essa monotonia. Grande parte do trajeto é feito em estradinhas secundárias que praticamente só davam passagem para um veículo de cada vez. Em vários momentos os carros que cruzavam por nós eram obrigados a ir para o acostamento e parar. Ao entrarmos nas pequenas aldeias com suas ruelas estreitas, tortuosas e mal iluminadas, tínhamos a impressão de que o ônibus ia penetrar pelas paredes de pedra das casas! A Sônia um tanto calada durante a maior parte da viagem não estava com seu melhor humor. Eu também não, mas procurava não demonstrar fazendo um comentário aqui, outro ali! Na última meia hora da viagem só restavam nós dois e o motorista, claro!

Uma chuvinha fina e fria nos brindou na chegada. Até que o motorista, um senhor passando bem dos 60 anos, foi gentil e saltou junto com a gente do ônibus, debaixo de chuva, enquanto colocávamos as mochilas nas costas; perguntou-nos se sabíamos onde ficava o hotel. Respondemos que sim e agradecemos. A noite já havia chegado; a chuva fria e as ruas desertas acabaram deprimindo a Sônia, infelizmente! Psicologicamente, não é fácil, mesmo para um casal, chegar numa cidade e numa noite chuvosa andar por ruas desertas, num lugar em que não se conhece ninguém, nem uma cara amiga pra dizer simplesmente um alô e a doze mil quilômetros de casa! Eu e a Sônia nessas horas nos "amparávamos" mutuamente! O rapaz que nos atendeu quando chegamos ao hostal, com cara de enfado e mal humorado, não colaborou em nada para melhorar nosso astral, ao contrário, mas tivemos uma grata surpresa quando entramos no quarto. Tudo perfeito, novo e funcionando! Fui logo acendendo todas as luzes, ligando o som, depois a TV, fazendo tudo para melhorar a deprê da Sônia; para finalizar, enchi de espuma a banheira de hidromassagem e brinquei com ela, dizendo que ia ter um momento de estrela! Até que deu certo, pois pouco depois já estava sorrindo e alegre! Fizemos em seguida um lanche no quarto mesmo e ficamos conversando e fazendo um balanço da viagem até ali e também o roteiro para o dia seguinte! Até que a diária não foi das mais caras se levarmos em conta o conforto: 36 Euros!